Monday, January 15, 2007

Penrose Fairyland, 1920s


Penrose Fairyland, originally uploaded by normavalentine.

2 comments:

AndRocPinho said...

Cara Mariana, (estou a comentar o teu post, deixado no meu blog faroldodeserto.blogspot.com, lá e em dois blogs teus – desculpa o imediato tratamento por “tu”).
A futura lei, se passar no referendo, não vai ser selectiva relativamente às razões dos pedidos de aborto. Quem quiser aborta, não justifica e pode ficar a cobro de anonimato. De qualquer forma, seria muito difícil de aplicar um esquema de selectividade em função dos motivos e dos possíveis cenários de crescimento do bebé, após nascer. Daí que eu defendo que a mãe deveria ter o direito de não querer ter a criança, mas nesse caso deveria ter que entregá-la ao Estado depois de nascer, que a levaria para um casal que quisesse adoptá-la ou para uma instituição), tal como faria se o abandonasse à nascença num hospital.
Ao votar “sim”, resolvemos os problemas de quem não tem grandes meios económicos (e dos que também não se estão para chatear com arranjá-los…) e lavamos as mãos do estado, a quem custa muito menos mandar um embrião para o caixote do lixo, do que educá-lo até à vida adulta.
Acredito que a maioria das gravidezes indesejadas seja motivada por falhas contraceptivas, mas também acredito que, em quase todas elas, poderia ter havido maior cautela na sua utilização. O sexo deve ser um veículo libertador, um direito e um prazer de qualquer cidadão livre e maduro, mas não pode deixar de ser um acto de responsabilidade. E quando está em causa uma vida ou ma forma de vida… há que ter respeito. Induzir na sociedade que o aborto funciona como um contraceptivo de recurso, à posteriori, é uma crueldade leviana para a espécie humana. E agora, até há a pílula “do dia seguinte”, que não havia no último referendo.
Há 8 anos, eu votei “sim”. Agora, temo ser “derrotado” de novo, pois mudei de opinião e vou votar “não”.
Ser prático é votar “sim”. Pensando, admito que com algum pragmatismo, que não é possível reduzir drasticamente o número de gravidezes indesejadas, resolve-se a questão dos mais carenciados que se veriam em aflição com uma criança nos braços, mas o injusto é que resolvemos o problema do Estado, que nunca mais se incomoda com o assunto.
Pensando bem, ser mais pragmático ainda é votar “não”. Porque assim obrigará o Estado a investir conveniente e finalmente em informação, formação, planeamento familiar, a encarar de imediato a descriminalização das mulheres (não dos médicos e outros intervenientes) e, talvez quem sabe, a pensar se não encontrará sistema para se responsabilizar pela educação das crianças indesejadas por parte dos que realmente não tenham como oferecer meios minimamente dignos para a evolução do novo ser. Utópico, dirão alguns a esta última parte. Realizável, diria eu, desde que os decisores consigam mobilizar o verdadeiro espírito humanista português, que ainda temos.
Mariana, só duas pequenas “achegas”: embrião é a forma de vida até aos 3 meses, feto a partir daí. A lei proposta admite abortos livres até aos 2,5 meses, que é mesmo que 10 semanas. E pergunto eu, quem se decidir abortar com 11 ou 12 semanas? Serão assim tão poucos casos? Não vai ter os mesmos exactos problemas? Não vai manter vivo o aborto clandestino que tantos querem abolir?

Mariana said...

O motivo porque é moralmente aceitável que uma pessoa recorra ao aborto quando o contraceptivo utilizado falhou, é porque há situações em que se esse método contraceptivo falha a pessoa não tem como saber na hora, e como tal não pode recorrer à pilula do dia seguinte. Se por exemplo a pessoa tiver utilizado um preservativo e este se romper ela dá por isso e pode tomar a pílula do dia seguinte. Mas se por exemplo tiver sido a pílula a falhar é impossível a pessoa dar por isso, até se terem passado algumas semanas e ela compreender que está grávida.

Se não tiveres objecções contra a utilização da pílula do dia seguinte então não há motivo para que te oponhas a que se possa abortar dum embrião com poucas semanas, que ainda não tenha apar~encia humana. Se pelo contrário achas que se deve defender a vida desde o primeiro momento da concepção então devias incluir entre as tuas objecções a utilização da pílula do dia seguinte, visto que ela é não contraceptiva mas sim abortiva.

Obrigada pelo teu comentário nos meus dois blogues. Se algum dia quiseres comentar no meu blog dedicado ao tema do aborto és sempre muito bem vindo. É o blogue do talvez:

http://bloguedotalvez.blogspot.com/

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